Dra. Rosane Rodrigues | Especialista em Reprodução Humana SP | WhatsApp
Gravidez depois dos 40 anos: quais os riscos e dificuldades?

Gravidez depois dos 40 anos: quais os riscos e dificuldades?

Por Dra. Rosane Rodrigues 01/04/2021

Os casais sentem a pressão do relógio biológico feminino para ter filhos a partir dos 35 anos. No entanto, a gravidez acima de 35 anos tornou-se bastante comum. Essa tendência é associada à emancipação feminina, resultando, nas últimas décadas, em mais dedicação de tempo à carreira e vida pessoal.

Aos 40 anos muitas mulheres estão vivendo seu melhor estágio pessoal e profissional. As experiências, sem dúvida, contribuem para o desenvolvimento de uma maternidade serena e consciente.

Porém, é exatamente a partir dessa idade que os riscos se tornam maiores. Durante a gravidez, por exemplo, naturalmente a circulação sanguínea e o trabalho do coração acabam aumentando. Após os 40 anos essas alterações sobrecarregam o músculo cardíaco.

Além disso, algumas condições comuns à essa faixa-etária, como a obesidade e osteoporose, por exemplo, podem ainda agravar o quadro.

Atualmente, entretanto, é possível preservar a fertilidade em antecipação ao declínio natural, o que garante a manutenção da qualidade dos óvulos, que também diminui com o avanço da idade e, amplia o prazo para a maternidade.

Neste texto, explico como é realizado o procedimento e destaco os riscos da maternidade tardia. Continue a leitura e saiba mais.

Como preservar a fertilidade?

O procedimento é chamado preservação social da fertilidade e prevê a criopreservação dos óvulos. Com o avanço dos métodos de congelamento, que permitem o armazenamento por mais tempo com danos praticamente inexpressivos às células e altas taxas de sobrevida, se tornou uma tendência mundial.

Para congelar os óvulos a mulher é submetida à estimulação ovariana: medicamentos hormonais são administrados para estimular o desenvolvimento e amadurecimento de mais folículos, obtendo mais óvulos para serem congelados.

No entanto, os óvulos devem ser congelados até no máximo 35 anos, idade em que os níveis da reserva ovariana ainda estão altos, assim como a qualidade deles. É importante também ficar atenta ao período para descongelá-los, aumentando, dessa forma, as chances de gravidez e minimizando os riscos.

Algumas dicas podem ajudar bastante a garantir maiores chances após o descongelamento:

  • Levar um estilo de vida saudável e equilibrado. A gravidez envolve muitas mudanças físicas e emocionais, cuidar da dieta é fundamental para manter a forma e reduzir os riscos. Comer de forma saudável, praticar atividades físicas moderadas, permite viver melhor essa fase e, é claro, o restante da gravidez.

 

  • Consulte um especialista para verificar seu estado de saúde e avaliar possíveis alterações que podem interferir na gravidez. Durante a consulta aborde sobre a possibilidade de tomar suplementos que podem facilitar o processo (ácido fólico, por exemplo).

 

  • Evite tabaco, álcool e outras substâncias que possam alterar o fluxo sanguíneo e aumentar o risco de aborto espontâneo nas primeiras semanas.

 

  • Realize atividades que relaxam o corpo e a mente. O fator psicológico influencia a produção de hormônios, fundamentais para que a concepção ocorra.

 

A adoção dessas medidas possibilita usufruir dos benefícios proporcionados pela gravidez em idades mais avançadas, como a maior flexibilidade nos horários de trabalho, aproveitando o tempo livre para se dedicar mais aos filhos.

Riscos de uma gestação acima dos 40 anos

Após os 35 anos a reserva ovariana diminui e a qualidade dos óvulos é comprometida, aumentando a possibilidade de ocorrem anormalidades cromossômicas.

Anormalidades cromossômicas numéricas, chamadas aneuploidia, podem provocar falhas no processo de nidação, quando embrião implanta no endométrio, resultando em abortamento. Assim como podem levar ao desenvolvimento da síndrome de Down, comum em filhos de mães mais velhas.

Por outro lado, alguns problemas de saúde podem surgir com a idade, entre eles hipertensão, diabetes e desequilíbrios hormonais, que também tornam o risco maior e, consequentemente, aumentam a possibilidade de ocorrerem complicações no parto, como uma placentação anormal, que pode levar à pré-eclâmpsia (aumento da pressão arterial), atraso do crescimento intrauterino ou descolamento da placenta.

No entanto, mulheres em idade avançada que pretendem engravidar podem contar com o auxílio da fertilização in vitro (FIV).

Na técnica é possível selecionar os óvulos mais saudáveis para a fecundação, uma vez que o procedimento é realizado em laboratório. Hoje, o método mais usado nas clínicas de reprodução assistida é a FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), em que cada espermatozoide é avaliado e posteriormente injetado no citoplasma do óvulo, proporcionando mais chances de a fecundação ocorrer.

Os embriões são posteriormente cultivados em laboratório e transferidos para o útero. O processo é bastante simples, realizado com a mulher em posição ginecológica sob sedação. Eles são inseridos em um cateter e depositados no útero para que a nidação ocorra.

Na FIV, as células dos embriões de mulheres mais velhas podem, ainda, ser analisadas pelo teste genético pré-implantacional (PGT), técnica complementar ao tratamento. Assim, apenas os mais saudáveis são transferidos, reduzindo ainda mais a possibilidade de ocorrerem falhas na implantação e abortamento, ou de crianças com a Síndrome de Down.

A FIV com ICSI também é o tratamento indicado para obter a gravidez após o descongelamento dos óvulos. É a técnica de reprodução assistida que possui os percentuais mais expressivos de sucesso gestacional por ciclo de realização.

Os índices de gravidez, entretanto, assim como na gestação natural, também são menores em idades mais avançadas.

Toque aqui para entender melhor como preservar a fertilidade e garantir maiores chances de gravidez em idades mais avançadas.

0 0 votes
Article Rating
Deixe o seu comentário:
Se inscrever
Notificação de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Posts Anteriores:
Histerossalpingografia: o que é?

As tubas uterinas são duas estruturas tubulares bilaterais que conectam o útero aos ovários e […]

Continue lendo
Laqueadura: é possível reverter?

As tubas uterinas fazem parte do sistema reprodutor feminino. São dois tubos com aproximadamente 10 […]

Continue lendo
O que é ultrassonografia?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 15% da população mundial se […]

Continue lendo
Endometriomas: saiba mais sobre a doença

A fertilidade feminina depende do bom funcionamento de todo o sistema reprodutivo e endócrino, mas […]

Continue lendo
Histeroscopia cirúrgica: o que é?

O sistema reprodutivo feminino é composto por órgãos localizados na cavidade pélvica, e suas funções […]

Continue lendo
O que é coito programado?

O coito programado, também conhecido como relação sexual programada (RSP), é uma técnica de reprodução […]

Continue lendo
Vasectomia: é possível reverter?

Muitas dúvidas surgem quando um casal decide por um método não reversível de contracepção. As […]

Continue lendo
Doação de embriões: o que é e qual a importância da técnica?

Para que a gravidez ocorra em um processo natural, todos os meses os ovários liberam […]

Continue lendo
Reprodução assistida: como uma pessoa solteira pode ter filhos?

No Brasil, desde 2013 as técnicas de reprodução assistida são extensivas a pessoas solteiras que […]

Continue lendo
Ver todos os posts